Bruno Martini: “Minha paixão sempre foi a música eletrônica”

O novo fenômeno brasileiro conta à Phouse sobre seu background musical, influências, a parceria com Alok e Zeeba, expectativas para o Tomorrowland, collab com lenda do hip hop e planos para o futuro.

O caminho de um artista até o sucesso no mundo da música geralmente não é nada fácil. Tentativas, erros, frustrações, alguns lançamentos bons e outros nem tanto, até o glorioso momento em que finalmente sairá o hit que levará sua carreira a outro patamar. Essa é uma realidade da qual poucos conseguem escapar, e que pode tomar anos da vida de um músico. Bruno Martini, no entanto, é uma completa exceção à regra.

O primeiro single do paulistano de 24 anos, “Hear Me Now”, em parceria com Alok e Zeeba, é nada menos que a música brasileira mais tocada da história do Spotify. Um tiro, um acerto e a explosão da carreira de uma das grandes promessas da música nacional. Apenas isso seria o suficiente para justificar por que ele vem sendo considerado um fenômeno por profissionais da indústria musical — Bruno é tratado como uma joia pelas gigantes Plusnetwork, que cuida de sua carreira, e Universal Music, sua gravadora.

Ouça os remixes do hit “Living On The Outside”, de Bruno Martini

Quem vê de longe pode pensar em sorte, mas quem acompanhou a trajetória de Bruno sabe que a verdade não poderia estar mais longe. Para alcançar o sucesso imediato na cena, ele trabalhou longa e duramente por trás dos panos. Dois anos em seu estúdio em São Paulo para desenvolver e refinar sua sonoridade, para que quando o mundo a ouvisse, o impacto fosse imediato.

Na esteira desse sucesso, “Living on the Outside” e “Sun Goes Down” confirmam que não foi por acaso: a identidade do artista — que engloba referências da house music ao indie rock — está ali, cristalina, e a repercussão foi igualmente positiva. Ao melhor estilo Calvin Harris, Bruno compõe, produz e até mesmo canta. Tudo isso nos fazer acreditar que, de fato, estamos presenciando o surgimento e a consolidação de um fenômeno.

A música eletrônica começa a conquistar a TV brasileira

Agora, às vésperas de tocar em seu primeiro Tomorrowland, o rapaz trocou uma ideia breve conosco, falando sobre a influência de seu pai — Gino Martini, membro do famoso grupo italiano de eurodance, Double You —, contratos com a Disney, seu ecleticismo, como se deu a parceria com Alok e Zeeba, collab com a lenda Afrika Bambaataa e planos para o futuro.

Bruno, você teve um início de carreira muito interessante no mundo da música. Quem te acompanha apenas após o início do seu atual projeto provavelmente vai ficar muito surpreso ao saber como tudo começou! Conta pra gente, então, um pouquinho dessa sua trajetória na música.

A música sempre esteve presente na minha vida. Comecei a estudar, tocar guitarra e teclado na infância, pois meu pai é produtor musical e tem um estúdio de música em SP. Meu pai trabalhou com muitos artistas nacionais e internacionais e eu sempre acompanhei. Ele faz parte de um grupo chamado Double You. Com 12 anos, tive minha primeira banda de rock, e foi aí que comecei a compor e produzir. Aos 15, peguei algumas das minhas demos e enviei para alguns empresários nos EUA sem muita pretensão. Um deles trabalhava para o [compositor e produtor musical] Yanni. Eles então adoraram meu trabalho e apresentaram para a Disney Califórnia. Logo uma das primeiras músicas que escrevi virou tema de filme da companhia.

Foi um período incrível em que gravei e produzi dois CDs para a Walt Disney Records, fizemos o primeiro seriado de TV feito pela Disney no Brasil, que passou em toda a América Latina, e muitos outros trabalhos. Foi um grande aprendizado, mas minha paixão sempre foi a música eletrônica, até porque meu pai trabalhava com alguns DJs, com os quais aprendi a discotecar muito cedo.

Quais foram os principais artistas que te inspiraram nesse início de carreira e quais são os artistas que te inspiram hoje? O que te faz admirar um profissional e se espelhar nele?

Sou uma pessoa muita eclética, eu escuto de tudo. Claro que tenho meus gostos pessoais, como qualquer pessoa, mas como produtor tenho que ouvir de tudo. Faz parte do meu trabalho. Eu escuto de Deep Purple a Daft Punk, passando por Jay-ZTimbalandHardwell… Eu tive uma experiência muito legal na minha vida, que foi a oportunidade de gravar uma música com o [pioneiro do hip hopAfrika Bambaataa dentro do meu estúdio. É uma música bem soulR&B, com pouco de hip hop. Pensamos em lançar futuramente.

“O Alok veio ao meu estúdio para gravar uma matéria de TV. Não o conhecia, e então começamos a falar sobre música. O resto vocês já sabem…”

O Bruno Martini enquanto artista solo explodiu no cenário após o lançamento de “Hear Me Now”, sua colaboração com o Alok. Como se deu esse encontro entre vocês? Como foi trabalhar com um dos artistas de maior sucesso da cena brasileira e com renome internacional?

Foi tudo por acaso. O Alok veio ao meu estúdio para gravar uma matéria de TV, indicado por um amigo. Não o conhecia, e então começamos a falar sobre música. Mostrei para ele alguns projetos que havia feito, e entre eles estava o começo de “Hear Me Now”. Eu apresentei o Zeeba para ele, pois já estava trabalhando com o cantor há algum tempo. Então começamos a produzir e somar as ideias da música dentro do meu estúdio. O resto vocês já sabem…

A parceria de vocês fez um sucesso estrondoso tanto no mundo da música eletrônica quanto no cenário pop. Você bombou no Spotify, está nas playlists de todo mundo, apareceu até na TV. O que mudou na sua vida desde então? As pessoas já te reconhecem na rua, pedem fotos? Como você está lidando com esse momento de fama?

Ter o reconhecimento do público pelo seu trabalho é sempre muito gratificante. Sou muito grato com tudo que vem acontecendo na minha carreira, mas meu foco não é fama e nem dinheiro. Eu faço isso porque amo a música, eu dou minha vida por ela e eu sei o verdadeiro significado que ela tem.

“Meu foco não é fama e nem dinheiro. Eu faço isso porque amo a música, eu dou minha vida por ela e eu sei o verdadeiro significado que ela tem.”

Em pouquíssimo tempo de carreira, você já atingiu sucesso o suficiente para estar hoje confirmado no lineup do Tomorrowland. Como está a expectativa para essa apresentação?

Estou muito ansioso. Já tive a experiência de tocar no Tomorrowland Brasil e foi incrível. Estou preparando um set com o meu som, com a minha cara.

Seu início fulgurante te valeu uma grande legião de fãs, que estão agora sedentos por mais música. Toda a imprensa especializada já te considera um prodígio e também está ansiosa por ver mais do seu trabalho. Quais são os seus planos para o futuro próximo?

Acabo de lançar “Sun Goes Down”, com a Isadora. Estou muito feliz com o resultado e o suporte que vem tendo em vários países. Já passamos os dois milhões de streams no Spotify em pouco mais de uma semana. Tenho muita música pronta no meu estúdio, eu só sigo meu coração. Quando eu chego no estúdio, quero fazer o que estou sentindo no momento. Tenho certeza que meus próximos lançamentos e minhas parcerias vão surpreender muita gente.

Fonte: https://www.phouse.com.br